sábado, 17 de março de 2012
OS ANDAIMES DA RESTAURAÇÃO
Andei escrevendo no FACE que nós precisamos de restauração. Nós restauramos monumentos e construções porque eles se desgastaram, perderam o brilho, a vitalidade, estão se perdendo. Mas eles se desagastam por fora e nós nos desgastamos por dentro, afligidos pelos problemas, desafios, desencontros. Nossa vida afetiva, profissional, familiar ficam comprometidas. Por isso é necessário colocar alguns andaimes na vida para reformar, restaurar, alindar, nosso castelo interior. E quais seriam tais andaimes? Cada edifício a ser restaurado deve ter seus andaimes adequado. Do mesmo modo nós, seres humanos. Cada um de nós sabe de seus limites, fraquezas, erros. Mas para todos, os melhores andaimes são a vontade de querer ser restaurado; a abertura às pessoas de nossos relacionamentos, a meditação da Palavra de Deus,o difícil perdão que devemos dar e a oração. Parece bobagem isso tudo.Mas se você experimentar, verá que seu edifício interior será brilhante, decorado, firme e que dará a você garantia para viver feliz.
sábado, 3 de março de 2012
Fé é desafio
A teologia ensina que a fé é um dom dado ao ser humano por Deus através da sua revelação na História. A resposta do homem a Deus é livre. Tal resposta é reconhecer o Senhor e seguir sua vontade salvífica, isto é, ele nos quer felizes e para sempre (=salvação. A Palavra de Deus hoje, domingo, diz que Abraão foi testado por Deus que pediu-lhe que lhe sacrificasse o seu filho primogênito! Isso é coisa impensável para nós, se lermos o texto ao pé da letra. Evidentemente se Deus se revelou no Exodo (3,14) como o "Deus da vida", Aquele que caminha com a humanidade, ele não poderia pedir a morte de ninguém, E realmente não está pedindo. O importante do texto é salientar prova a que Deus submete Abraão: a fé é uma provação, é um desafio. Não é uma certeza ofuscante; ela tem sua noites obscuras, dolorosas, mas tem também grande margem de luz e glória. Abraão e Sara foram desafiados a creem num Deus único, Senhor, Criador. E a ele consagrar, não sacrificar, seu filho. No Evangelho desse domingo,Jesus depois de mostrar o lado humano de sua Pessoa (dor, sofrimentos, perseguição,angústia e morte, mostra seu lado divino pela Transfiguração. Os discípulos que se extasiaram com a transfiguração, querem ficar no monte para sempre. Querem sair do mundo, fugir do mundo, não enfrentar o desafio da fé, da luta, da Paixão. O discípulo de Jesus é convidado a crer no Crucificado e a segui-lo. É nele que encontra força para "construir tendas", não no monte, mas na eternidade. Coisa que se faz pela luta desafiadora do dia a dia. "A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer as realidades que não se veem" (Hebreus 11,1)
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Deixai vir a mim as criancinhas
Muita gente não conhece a Pastoral da Criança -criação da falecida Dra. Zilda Arns e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Dona Zilda morreu nos escombros de uma sala de aula no Haiti quando preparava líderes locais para desenvolverem a Pastoral da Criança. Essa Pastoral atende e acompanha gestantes e crianças carentes, com orientações pré-natal, parto e pós parto às gestantes e de alimentação, pesagem,, educação às crianças. Um grande trabalho feito com voluntários. As Comunidades católicas, quase todas, têm essa Pastoral em suas prioridades. E há também a presença dessa Patoral em Comunidades não católicas. Na terça de carnaval fiquei observando os voluntários trabalharem com as crianças e mães. Trabalho que já conheço. Mas a cada vez emociona. De um lado, a ruidosa festa carnavalesca. (Carnaval não é pecado. A pessoa é que pode por pecado no carnaval). Doutro lado, senhoras e jovens, preparando o alimento especial para as crianças:a "multi mistura". Enquanto isso, eles, os pequenos, corriam pelo pátio do Centro de Pastoral, suadinhos, alegres. Uns eram pesados, outros alimentados e "endoçados", isto é carregadinhos de doces. Ao final do Encontro mensal todos recebem reforçado lanche. Na Campanha da Fraternidade deste ano sobre a Saúde, está aí um exemplo lindo no trato dos pequenos (mães e filhos) , para que tenham saúde e vida. Acho que eu e você poderíamos fazer alguma coisa por essa Pastoral na nossa Comunidade! Se a gente entrar nessa, também se torna uma das criancinhas com direitomao Reino dos céus - como disse o Senhor
sábado, 18 de fevereiro de 2012
O Messias e os marginalizados
Se há uma coisa grande no coração de Deus é a misericórdia. Deus acolhe, abraça, perdoa, principalmente quem é pecador. Mais ainda: quem é grande pecador. Isso não quer dizer que devamos ser grandes pecadores para que Deus nos abrace e de nós tenha misericórdia. Quando a gente chega ao fundo do poço, quando tudo está perdido, quando não há mais esperança, quando a frustração nos abate e a depressão quer nos envolver, aí entra o Coração de Deus. Ele nos puxa do poço, nos integra na sua família, nos devolve a esperança, anula nossa frustração e nos enche de otimismo e alegria. Esse é o modo de tratar de Jesus. O Evangelho desse domingo, dia 19, mostra isso. Jesus acolhe um doente, paralitico e pecador, carregado por outros e o cura por dentro, dando-lhe a graça e a alegria, e o cura por fora , libertando-o da paralisia e o faz caminhar, e caminhar em dois sentidos: um caminhar físico, está libertado da paralisia, e um caminhar espiritual e sagrado: integrado à comunidade e na paz. Jesus o fez, então, inteiramente feliz, dandolhe dupla vida: a da felicidade interior (perdoando-lhe os pecados) e a exterior, dando a alegria de andar , correr e ir anunciar que Jesus é amigo dos marginalizados e pecadores. Você, eu, nós, podemos ter confiança, pessoal! Maior que nossos erros e pecados é a misericórida e o coração de nosso Deus. Basta confiar.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Fazer o bem sem ver a quem
Há muita gente que diz que não devemos fazer o bem sem ver a quem! Isso pode ser verdade pois há muita gente que não merece ser ajudada. Mas não sabemos realmente quem precisa e quem não precisa, quem engana e quem é honesto. Se formos avaliar a cada pessoa que pede, para poder ajudá-la na sua precisão, o nosso gesto perde o valor. O que vale é a nossa intenção de ajudar, de dar a mão. É o que nos ensina o texto do evangelho de Marcos (1,29-39) deste domingo. O texto fala de"um dia na vida de Jesus". Sua vida foi um contínuo fazer o bem, um constante servir aos necessitados: cura os doentes, expulsa o mal, perdoa pecados, acolhe pecador.Não olha a cara, olha seu coração de ternura e misericórdia. Assim é Deus. Ele é imensamente ternura e compaixão. A Bíblia está repleta dessa afirmação. Então por que ficar achando que Deus castiga, que Deus se vinga, que Deus não perdoa? É claro que temos que ser esponsáveis pelo que fazemos. Mas Jesus disse sobre isso: "Vão e aprendam eu quero misericórdia e não orações e sacrifícios". Bom domingo.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Vencer a alienação
O evangelho de Marcos (1,21-28) será proclamado no mundo inteiro nesse 4.º domingo do ano comum. O texto fala sobre uma brilhante pregação de Jesus na sinagoga de Cafarnaum e fala que apareceu lá um homem tomado pelo espirito mau. Desafiou Jesus mas acabou fazendo uma profissão de fé reconhecendo que ele era o santo de Deus. O texto conclui dizendo que Jesus expulsou aquele demônio e todos ficaram admirados.
Alguns elementos importantes que ajudam a entender e meditar o texto. 1. O texto faz comparação entre a pregação de Jesus e a dos doutores da Lei. Jesus fala e todos entendem, admiram porque ele fala com autoridade divina e sabedoria. Os doutores da Lei falam somente sobre obrigações, deveres e exigências das leis. Impõem para os outros e não para eles. Fica claro para o povo: as leis não libertam, escravizam. Jesus, porém, liberta sempre. E uma prova concreta: 2) Ele liberta do demônio. Demônio não é um espírito mau; demônio, diabo, satanás é o nome de todas aquelas forças operativas do mal que atuam no mundo e impedem o homem de ser feliz como Deus quer. Todas as alienações, escravidões opressões são ações demoníacas, coisas que não são de Deus. Onde está Jesus, diz o texto, não pode estar o mal.. 3) As leis que não ajudam a pessoa a chegar mais perto de Deus são demoníacas. Devem ser exorcizadas, isto é, combatidas, desrespeitadas, não obedecidas. Tudo aquilo que aliena, que oprime, não vem de Deus. Jesus é Libertador.
Alguns elementos importantes que ajudam a entender e meditar o texto. 1. O texto faz comparação entre a pregação de Jesus e a dos doutores da Lei. Jesus fala e todos entendem, admiram porque ele fala com autoridade divina e sabedoria. Os doutores da Lei falam somente sobre obrigações, deveres e exigências das leis. Impõem para os outros e não para eles. Fica claro para o povo: as leis não libertam, escravizam. Jesus, porém, liberta sempre. E uma prova concreta: 2) Ele liberta do demônio. Demônio não é um espírito mau; demônio, diabo, satanás é o nome de todas aquelas forças operativas do mal que atuam no mundo e impedem o homem de ser feliz como Deus quer. Todas as alienações, escravidões opressões são ações demoníacas, coisas que não são de Deus. Onde está Jesus, diz o texto, não pode estar o mal.. 3) As leis que não ajudam a pessoa a chegar mais perto de Deus são demoníacas. Devem ser exorcizadas, isto é, combatidas, desrespeitadas, não obedecidas. Tudo aquilo que aliena, que oprime, não vem de Deus. Jesus é Libertador.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Os Reis Magos: Bíblia e folclore
No dia 6 de janeiro a tradição litúrgica da Igreja celebra a festividade dos Três Reis Magos. Quem foram eles afinal? Muitas são as tradições a respeito desses três lendários personagens. Essa festa é celebrada com grande alegria, folclore e religião na Europa e no Brasil. Festa aqui trazida pelos portugueses. Os "reisados" constituem linda expressão folclórico-religiosa dessa tradição. Ao narrar o nascimento de Jesus o evangelho de Lucas diz que foram os pastores os primeiros a adorarem Jesus na gruta de Belém. Porém, o evangelho de Mateus - dentro de um quadro literário lindíssimo - conta a história da estrela de Belém e diz que foram alguns magos que visitaram Jesus e lhe deram como presentes ouro, incenso e mirra. A tradição cristã identifica três reis magos e lhe dá nome: Gaspar, Melquior e Baltazar. Os evangelistas, porém, querem dizer uma mesma coisa: Deus se revela a todos os povos e nações, não somente aos judeus; a cada um dentro de sua história, dentro de sua cultura. Quem foram esses reis? Cálculos astronômicos garantem que no ano 6 antes de Cristo (quando nasceu Jesus) houve uma estranha conjunção de Júpiter com Saturno que os aproximou de tal modo que parecia formarem uma única estrela. Astronomia e astrologia sempre andaram juntas na história da antiguidade. E até hoje a astrologia, travestida de astronomia, está em alta. Para os antigos astrólogos Júpiter era o símbolo do Senhor do Universo e Saturno, era a estrela do povo judeu, e a constelação de Peixes era símbolo do fim dos tempos. Alguns sábios babilônios (vizinhos do povo judeu) assim interpretaram o fenômeno astronômico: no Povo judeu (Saturno) nascerá o Senhor do Mundo (Júpiter), sinalizando assim que o final dos tempos (Peixes) vai acontecer. Para o Novo Testamento Jesus é o Senhor do mundo, o Cristo cósmico, aquele que reunirá todos os povos, todas as raças, e nações. Os evangelistas usam então esse conhecido fenômeno astronômico para apresentar a todos os povos e nações Jesus,como o Senhor de todos. Todos os acontecimentos (= estrela) apontam uma só Realdade: Jesus, o Senhor. Os presentes simbolizam exatamente isso: Cristo é Rei (ouro); Cristo é o Filho de Deus encarnado (mirra), Cristo é Deus (incenso). A festa dos Santos Reis torna presente tudo isso despertando alegria, paz, ternura e muita festa em nossos corações.
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